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HERANÇA DE UM ESTRANHO - PARTE I

 CONCEPÇÃO


CAPITULO I – O TEXTO

Como começou? Qual foi a primeira centelha que deu início a essa aventura? Que sensações e impressões, que de maneira quase inconsciente, me direcionaram e serviram de bússola que orientou essa deliciosa, mas também angustiante viagem? Angustiante, sim, porque quando nos lançamos dentro desse processo criativo, ou em qualquer processo criativo, temos somente  impressões amorfas, como cores, texturas e por aí vai; - fiquei mais tranqüilo quanto a isso quando li um texto do Diretor Peter Brook, que aliás recomendo. Mas, vamos ao primeiro contato com o texto, - origem de tudo, ou culpado por tudo.

Não sei explicar muito bem o que me atraiu no texto, e que tipo de sensações e questões foram despertadas quando o li pela primeira vez. Fiquei incomodado com seu conteúdo, isso: - incomodado. Mais adiante, quando falar a respeito do seu conteúdo, vocês compreenderão esse incômodo. Acho que foi em 1985... Faz tempo... eu estava freqüentando uma igreja batista, e em umas das salas de escola dominical, em um canto, amontoadas, estavam lá uns números da Revista Mocidade Batista. Eram velhas, e acredito que o destino delas era o lixo... Lembro de começar a folhear algumas, por pura curiosidade, - sempre gostei de fazer isso -, mais ainda porque haviam falado que em algumas delas poderia haver textos para peças na igreja, e estávamos pensando nisso naquele momento. Separei quatro a cinco revistas, eu acho. Mas de todas, apenas dois textos sempre me chamaram a atenção, e sempre falei pra mim mesmo: - em algum tempo, não sei quando, eu vou trabalhar esses textos. Um deles era “Coração Aleijado” de Denilson Cardoso de Araújo, e o texto em questão “Os Doze” de Israel Belo de Azevedo, que mais tarde viria a adaptar e daria o título de “Herança de um Estranho”.

O tempo passou. Saí daquela igreja, freqüentei outras. Mas sempre pensando quando seria o tempo de voltar àqueles textos e poder montá-los. Bem, mais de 10 anos depois, estava cursando o profissionalizante em artes cênicas, um sonho que havia conseguido realizar. Depois de tanto tempo fazendo teatro dentro da igreja, comecei a me sentir vazio, sem conteúdo, e despreparado para continuar. Esse foi um momento importante: a profissionalização. Quando estava para terminar o curso profissionalizante, estava cheio de energia, com vontade de colocar na prática tudo o que havia aprendido, compartilhar, experimentar, inovar... Mal sabia o quanto isso seria difícil.

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